• Como surge o Câncer?

    As células que constituem os animais são formadas por três partes: a membrana celular, que é a parte mais externa da célula; o citoplasma, que constitui o corpo da célula; e o núcleo, que contem os cromossomas que por sua vez são compostos de genes. Os genes são arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização das estruturas, formas e atividades das células no organismo. Toda a informação genética encontra-se inscrita nos genes, numa “memória química” – o ácido desoxirribonucleico (DNA). É através do DNA que os cromossomas passam as informações para o funcionamento da célula.

    Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA dos genes. É o que chamamos mutação genética. As células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados protooncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os protooncogenes transformam-se em oncogenes, responsáveis pela malignização (cancerização) das células normais. Essas células diferentes são denominadas cancerosas.

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    Como se comportam as células cancerosas?

    As células alteradas passam então a se comportar de forma anormal.

    • Multiplicam-se de maneira descontrolada, mais rapidamente do que as células normais do tecido à sua volta, invadindo-o. Geralmente, têm capacidade para formar novos vasos sanguíneos que as nutrirão e manterão as atividades de crescimento descontrolado. O acúmulo dessas células forma os tumores malignos

    • Adquirem a capacidade de se desprender do tumor e de migrar. Invadem inicialmente os tecidos vizinhos, podendo chegar ao interior de um vaso sangüíneo ou linfático e, através desses, disseminar-se, chegando a órgãos distantes do local onde o tumor se iniciou, formando as metástases. Dependendo do tipo da célula do tumor, alguns dão metástases mais rápido e mais precocemente, outros o fazem bem lentamente ou até não o fazem.

    • As células cancerosas são, geralmente, menos especializadas nas suas funções do que as suas correspondentes normais. Conforme as células cancerosas vão substituindo as normais, os tecidos invadidos vão perdendo suas funções. Por exemplo, a invasão dos pulmões gera alterações respiratórias, a invasão do cérebro pode gerar dores de cabeça, convulsões, alterações da consciência etc.

     

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    Como é o processo de carcinogênese?

    O processo de carcinogênese, ou seja, de formação de câncer, em geral se dá lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor visível. Esse processo passa por vários estágios antes de chegar ao tumor. São eles:

    Estágio de iniciação

    É o primeiro estágio da carcinogênese. Nele as células sofrem o efeito dos agentes cancerígenos ou carcinógenos que provocam modificações em alguns de seus genes. Nesta fase as células se encontram, geneticamente alteradas, porém ainda não é possível se detectar um tumor clinicamente. Encontram-se “preparadas”, ou seja, “iniciadas” para a ação de um segundo grupo de agentes que atuará no próximo estágio.

     

    Estágio de promoção

    É o segundo estágio da carcinogênese. Nele, as células geneticamente alteradas, ou seja, “iniciadas”, sofrem o efeito dos agentes cancerígenos classificados como oncopromotores. A célula iniciada é transformada em célula maligna, de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação, é necessário um longo e continuado contato com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes promotores muitas vezes interrompe o processo nesse estágio. Alguns componentes da alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos de fatores que promovem a transformação de células iniciadas em malignas.

     

    Estágio de progressão

    É o terceiro e último estágio e se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio o câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença.

    Os fatores que promovem a iniciação ou progressão da carcinogênese são chamados agentes oncoaceleradores ou carcinógenos. O fumo é um agente carcinógeno completo, pois possui componentes que atuam nos três estágios da carcinogênese.

     

    Como o organismo se defende?

    No organismo existem mecanismos de defesa naturais que o protegem das agressões impostas por diferentes agentes que entram em contato com suas diferentes estruturas. Ao longo da vida, são produzidas células alteradas, mas esses mecanismos de defesa possibilitam a interrupção desse processo, com sua eliminação subseqüente. A integridade do sistema imunológico, a capacidade de reparo do DNA danificado por agentes cancerígenos e a ação de enzimas responsáveis pela transformação e eliminação de substâncias cancerígenas introduzidas no corpo são exemplos de mecanismos de defesa. Esses mecanismos, próprios do organismo, são na maioria das vezes geneticamente pré-determinados, e variam de um indivíduo para outro. Esse fato explica a existência de vários casos de câncer numa mesma família, bem como o porquê de nem todo fumante desenvolver câncer de pulmão

    Sem dúvida, o sistema imunológico desempenha um importante papel nesse mecanismo de defesa. Ele é constituído por um sistema de células distribuídas numa rede complexa de órgãos, como o fígado, o baço, os gânglios linfáticos, o timo e a medula óssea, e circulando na corrente sangüínea. Esses órgãos são denominados órgãos linfóides e estão relacionados com o crescimento, o desenvolvimento e a distribuição das células especializadas na defesa do corpo contra os ataques de “invasores estranhos”. Dentre essas células, os linfócitos desempenham um papel muito importante nas atividades do sistema imune, relacionadas às defesas no processo de carcinogênese

    Cabe aos linfócitos a atividade de atacar as células do corpo infectadas por vírus oncogênicos (capazes de causar câncer) ou as células em transformação maligna, bem como de secretar substâncias chamadas de linfocinas. As linfocinas regulam o crescimento e o amadurecimento de outras células e do próprio sistema imune. Acredita-se que distúrbios em sua produção ou em suas estruturas sejam causas de doenças, principalmente do câncer.

    Sem dúvida, a compreensão dos exatos mecanismos de ação do sistema imunológico muito contribuirá para a elucidação de diversos pontos importantes para o entendimento da carcinogênese e, portanto, para novas estratégias de tratamento e de prevenção do câncer.

     

    Sintomas do Câncer de Mama

    O câncer de mama não dói.  O principal sintoma é o próprio caroço no seio – detectado através do auto-exame, do exame feito pelo médico ou por uma mamografia. Outros sintomas de câncer na mama podem incluir secreções que saem do mamilo, alterações na forma do mamilo, alteração do tamanho ou da forma do seio, pele do seio mais esticada ou abaulada em algum ponto, vermelhidão ou outra alteração na pele.

    Se ao consultar o médico, ele suspeitar de câncer de mama,  um pequeno pedaço do caroço será retirado para que seja examinado. Esse procedimento é chamado de biópsia e revela  informações necessárias para que o médico e você decidam o que fazer – se é câncer, qual o tipo e outras informações importantes. Com esses dados é possível  escolher o tratamento a ser feito.

    Já foi comprovado: a melhor forma de combater o câncer de mama é prevenindo-o, através do auto-exame e do profundo conhecimento de todas as mulheres sobre os possíveis sintomas da doença e como reagir a eles. E é justamente esta arma que o Ministério da Saúde vem tentando utilizar em todas as suas campanhas.

    Os sintomas de câncer de mama são muitos e variados, mas igualmente muito próximos dos sintomas de doenças comuns. Os principais sintomas apontados são a mudança de coloração em uma determinada área do seio, bem como possíveis reentrâncias, elevação da camada cutânea ou enrugamento de esta mesma área determinada. Outro fator muito observado é uma leve porém perceptível mudança no formato ou no tamanho de apenas um dos seios, indicando visualmente que já existe um corpo estranho nesta pessoa.

    Além dos já acima citados, existem outros sintomas de câncer de mama que podem ser facilmente identificados. São eles o surgimento de um ou mais nódulos na região das axilas e também a aparição de secreções saindo do bico do peito e em seu entorno, fora do período de amamentação caso a mulher esteja em período pós-parto. São todos sintomas que o próprio corpo da pessoa indica alterações e que até mesmo inconscientemente a mulher pode observar alguma estranheza.

    Como pode-se observar, todos os sintomas de câncer de mama podem ser observados visualmente ou com um simples toque da própria mulher na região abaixo no seio. Com estes simples procedimentos é possível evitar que a doença de propague e torna-se prático combatê-la a tempo.

     

    Tipos de câncer de mama

    O câncer de mama é classificado conforme a parte da mama onde está localizado e se é invasivo ou não. O tipo mais comum é o Carcinoma ductal invasivo. Se desenvolve nos canais de leite (ductos) e pode espalhar-se para outras partes do seio e do corpo. Depois dele, o carcinoma lobular invasivo é o mais comum. Sua origem é nos lóbulos, pequenas estruturas na mama que produzem o leite. Esse tipo de câncer também pode se espalhar. Existem ainda três tipos de câncer de crescimento mais lento, os carcinoma tubular, o mucinoso e o medular.

    Outros tipos são mais raros, mas ocorrem. A chamada doença de Paget é um tipo de câncer nos ductos de leite que se espalha para a auréola, normalmente causando coceira, descamação ou enrugamento do mamilo. Já o carcinoma inflamatório é pouco comum,mas muito agressivo, espalhando-se com mais rapidez.

    Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, – em especial as mulheres – o câncer de mama não é único em sua categoria e possui distintos tipos de evolução da doença que merecem atenção diferenciada de acordo como reage ao organismo de seu hospedeiro.

    Quando o câncer de mama começa a se desenvolver no corpo humano, em geral ele provoca as células do seio (conhecidas como células mamárias), fazendo com que elas se multipliquem de forma descontrolada e desordenada, o que acaba alterando a forma e o tamanho do seio conseqüentemente.

    Como a maior parte deste tipo de câncer atua no ducto das mamas, sua versão mais conhecida atende pelo nome de Carcinoma Ductal, podendo ser in situ – quando se limita apenas às primeiras células deste ducto – ou ainda conhecido como invasor, quando não se limita mais apenas às células e começa a atingir também os tecidos em volta deste.

    Um segundo tipo de câncer de mama atende pelo nome de Carcinoma Lobular, justamente pela sua característica de ter seu início originado nos lóbulos das mamas, embora este tipo não seja tão comum de ser encontrado. Apesar desta pouca freqüência, quando diagnosticado em geral possui a característica de atingir ambas as mamas.

    Existem ainda muitos outros tipos de câncer de mama que embora sejam detectados com menor freqüência, têm o tratamento desenvolvido com mesmo desempenho pela parte médica e igualmente respeitado pela parte das pacientes. Com a união destas duas forças, sem preconceito, o câncer de mama vem sendo combatido com bastante eficiência.

     

    Tratamento do câncer de mama

    Descoberto qual o tipo de câncer que está presente, é hora de escolher o tratamento mais adequado para combater aquele tipo específico. Os tratamentos podem incluir cirurgia, radiação, terapia hormonal e quimioterapia. A cirurgia pode ser a retirada apenas do nódulo (lumpectomia) passando por outros tipos e podendo, conforme o caso, chegar à retirada total do seio (mastectomia). As mastectomias feitas hoje em dia não se assemelham as de antigamente, em que a mulher ficava prejudicada até em seus movimentos de braços e outros problemas. A reconstrução também evoluiu muito, contribuindo para diminuir o desconforto e o sofrimento físico e psicológico das mulheres tratadas de câncer de mama.

    Os tratamentos podem ser aplicados individualmente ou combinados para conseguir uma maior segurança na cura. O médico explicará qual o tratamento indicado e porquê ele é a melhor escolha. Ouça atentamente e faça as perguntas que achar necessárias. É importante saber a duração de cada tratamento, como funciona, o que esperar e quais são os prognósticos, isto é, o que vai acontecer com a doença e o paciente após o tratamento.

    Uma vez que o câncer de mama é diagnosticado fica sempre uma situação difícil para encarar, pois a maioria das mulheres possui medo de iniciar o tratamento e simplesmente se recusam a fazê-lo. A primeira batalha a ser conquistada, antes mesmo da doença, é a do medo e do preconceito para com a sociedade.

    O principal tratamento do câncer de mama é a cirurgia, que pode ser parcial ou total, demorando mais ou menos tempo e retirando parte ou todo o seio afetado pela doença. Conhecida como quadrantectomia , a cirurgia que retira apenas parte do seio deve ser posteriormente complementada pelo tratamento da radioterapia, que serve para terminar de eliminar os possíveis resquícios da doença. Já quando todo o seio é retirado, é recomendado um acompanhamento psicológico posterior à cirurgia, para ajudar a paciente a recuperar a auto estima e a confiança em si.

    A radioterapia é o segundo tratamento mais indicado contra o câncer de mama, tendo como base a aplicação de dos raios da radiação sendo diretamente direcionados ao tumor ou ao local onde este esteja alojado. Quando realizado antes da cirurgia de remoção, a radioterapia tem basicamente o intuito de reduzir o tamanho do tumor, facilitando a cirurgia posterior, mas quando realizado depois, possui o intuito de evitar o retorno da doença num futuro.

    Antes de mais nada é preciso vencer o medo e o preconceito para poder encarar o tratamento do câncer de mama. Com coragem e apoio, qualquer mulher consegue lutar por sua vida e ser feliz do jeito que for.

     

    Prevenção do câncer de mama

    Por ser um câncer altamente curável, é importantíssimo detectar o câncer logo que ele apareça. Examinar todo mês o próprio seio  pode detectar muitos casos iniciais. Em visitas regulares ao médico também é possível descobrir um nódulo suspeito. Mamografias anuais são indicadas para mulheres acima de 40 anos, ou para as mais novas caso tenham casos na família.

    Não se sabem as causas exatas do câncer de mama. Possíveis culpados, como a terapia hormonal,  são motivo de controvérsia entre os pesquisadores. Recomenda-se uma vida saudável, com a ingestão de fibras, frutas, verduras, cereais integrais e carnes magras. Evitar o excesso de álcool, manter o peso correto, praticar exercícios e técnicas de relaxamento podem manter o organismo saudável como um todo.

    Quando o assunto é câncer de mama, a prevenção se torna sua principal arma. Muitas mulheres já deram seu depoimento dizendo que o ato de prevenir diminui consideravelmente as chances da doença se desenvolver no organismo e conseqüentemente de haver a necessidade de alguma cirurgia de remoção do órgão.

    Um dos principais exames realizados para prevenir o câncer de mama – em especial para mulheres acima dos cinqüenta anos, embora seja recomendado que mulheres com qualquer tipo de suspeita da doença realizem o exame para verificar a presença ou ausência do câncer – atende pelo nome de mamografia. É um exame simples que consiste em realizar uma  espécie de raio X do músculo de forma que o resultado final pode apontar a presença de corpos indesejáveis no mesmo.

    O principal foco das campanhas de prevenção ao câncer de mama é a estimulação para que as mulheres percam o medo e o preconceito e realizem o auto-exame. É um ato simples que consiste no toque suave na parte inferior do seio em busca de possíveis nódulos que também é conhecido por algumas pessoas como “bolinhas” ou “grãos”. Além disso, o exame visual em busca de mudanças no tamanho ou na forma do seio também podem ajudar a prevenir a doença no futuro.

    Mas para prevenir mesmo o câncer de mama é necessário tomar certas medidas básicas que servem na verdade para evitar um grande número de outras doenças, tais como não fumar, não beber em excesso e possuir uma dieta rica em frutas e minerais, aumentando a qualidade de vida e diminuindo as chances de desenvolver muitas doenças.

     

    Câncer de mama no homem

    Muito raro, mas exatamente por isso, não costuma ser detectado cedo e infelizmente, pode evoluir até um estágio avançado sem ser diagnosticado. O tratamento é o mesmo e a evolução da doença também. O câncer de mama em homens também pode espalhar-se para outras partes do corpo. É fundamental que qualquer alteração da mama no homem seja examinada por um médico para que as providências corretas sejam tomadas.

    Embora atualmente o câncer de mama atinja uma em cada vinte mulheres no Brasil, ela não é uma doença exclusivamente feminina, embora se admita que a maioria do público atingido seja realmente as mulheres. Apesar do baixo índice, a doença também se manifesta nos homens.

    Quando comparado o índice de homens e mulheres atingidos pelo câncer de mama, os primeiro ficam em vantagem, ocorrendo em cada homem em comparação com cada cem mulheres. Apesar da baixa freqüência – e conseqüentemente do baixo grau de interesse da comunidade científica em estudar e explorar este tipo de manifestação na natureza – é cada vez mais fácil encontrar o depoimento de um homem que tenha sido acometido por esta doença. Sua baixa voz no mercado se deve puramente pelo grande preconceito da comunidade com relação à doença.

    O câncer de mama irá em geral atingir o homem com idade mais avançada, se for o caso de acontecer. Em geral numa faixa superior aos sessenta anos, o homem desconhece a realização do auto-exame através do toque, o que dificulta o controle do tumor quando ainda em fase benigna, pois a maioria dos pacientes só vai procurar ajuda – quando procuram – quando o tumor já está em desenvolvimento avançado e as únicas soluções possíveis são a cirurgia e a radioterapia.

    Quando conseguem vencer o preconceito contra si mesmo, o homem ainda precisa enfrentar o preconceito dos amigos e da sociedade. Se todos nós pudéssemos ser conscientes, talvez muitos homens poderiam cuidar-se melhor e evitar o desenvolvimento do câncer de mama em si mesmos.

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